Jogos Paralímpicos 2022, e o veto de atletas por motivos políticos

Os XIII Jogos Paralímpicos de Inverno acontecem entre 4 e 13 de março deste ano em Pequim -China- contando com 78 eventos de medalhas nos seis esportes que fazem parte do programa paralímpico: esqui alpino, esqui nórdico, biatlo, snowboard, curling de cadeira e hóquei no gelo. A surpresa, ou não, veio quando o Comitê Paralímpico Internacional (CPI) se tornou a mais recente organização esportiva a impor sanções à Rússia e decidiu impedir que atletas russos e bielorrussos participassem dos Jogos de Pequim 2022, apenas 24 horas antes da cerimônia de abertura. Por sua vez, o Comitê Paralímpico da Federação Russa (CPR) emitiu um comunicado em 3 de março no qual acusava a CPI de castigar seus atletas. “De acordo com esta decisão, os atletas russos aparecem como os perpetradores das atuais complicações políticas”, disse o CPR. Andrew Parsons, presidente do CPI, expresou aos atletas dos países punidos que “sentimos muito que vocês sejam afetados pelas decisões que seus governos tomaram na semana passada ao violar a trégua olímpica. Vocês são vítimas das ações de seus governos”. A Rússia era uma das favoritas não só para as apostas esportivas. A empresa fornecedora de metadados Gracenote, especializada em estatísticas esportivas, divulgou a começos do ano uma previsão intitulada: ‘Quadro de medalhas virtual’, que tratava de quais países seriam os mais vencedores no próximo evento de inverno. De acordo com o estudo, a Noruega lideraria o quadro de medalhas pela segunda vez consecutiva em um evento invernal, com 45 metais. Isso significaria que a delegação ‘vinking’ quebraria seu próprio recorde, já que em Pyeongchang 2018 eles conquistaram 39 medalhas. No que diz respeito ao Comitê Olímpico Russo, ‘espera-se que ganhe mais medalhas do que qualquer equipe que já representou a Rússia ou competiu sob a bandeira da antiga União Soviética. A ROC estaria então obtendo um total de 32 metais’, concluiu.

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Esporte e politica

Experiências passadas mostram que as sanções esportivas não encerram as guerras ou tratam radicalmente a injustiça. A África do Sul passou décadas no deserto esportivo durante os anos do apartheid antes de encerrar oficialmente a discriminação racial patrocinada pelo Estado em 1991. Da mesma forma, a exclusão da Iugoslávia do Campeonato Europeu de Futebol Masculino de 1992 não impediu a violência horrenda nos Bálcãs. Keith Rathbone, historiador deportivo da Universidad Macquarie em Sydney, diz que questionar a justiça das proibições esportivas é válido. “Os atletas não decidem o que seus países fazem e estão enfrentando punições por coisas em que realmente não tiveram muito a dizer.” Mas ele coloca isso em perspectiva, acrescentando que os atletas não podem se proteger de crises como guerras. “Quando sanções são impostas a bancos e indústrias russas, por exemplo, há muitas pessoas que também sofrem sem outra opção. A invasão da Ucrânia é uma injustiça maior do que os atletas podem estar enfrentando”. Ele acredita que as sanções esportivas têm um forte valor simbólico, já que o esporte teve um papel muito importante na história recente da Rússia, pois o país sediou os Jogos Olímpicos de Inverno de 2014 e a Copa do Mundo de futebol de 2018. “O esporte tem sido uma ferramenta poderosa para a Rússia e o presidente Vladimir Putin. Portanto, se as organizações desportivas estão agora a reavaliar a sua relação com a Rússia, é um passo positivo. Mesmo que chegue muito tarde.” 

 

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